Bem-vindos ao Impérios Rex e Lady Marian!

Bem-vinvos ao Impérios Rex e Lady Marian!


Este site foi criado objetivando trazer um pouco de entretenimento, ao meu ver, saudável, pelo menos pra mim, que gosto de escrever, ler e comentar, e a partir daí gerar discussões sobre os temas quadrinhos, cinema, seriados de TV e até pequenos textos, que poderão agradar a alguns e desagradar a outros tantos. Sem fins lucrativos, apenas mera distração inconsequente. Pode parecer similar a outros já existentes, mas perceberão com o tempo um diferencial agradável. Enfim, vamos entrar no espaço do Impérios Rex e Lady Marian. Sejam realmente bem-vindos! Este espaço é para todos!

sábado, 29 de agosto de 2015


NÓS E O TEMPO 

Andava o tempo ao léu
olhando a terra fria
pensativo, solitário
Quando te viu lá do céu.
Sorriu consigo mesmo.
Se aproximou devagar, 
a principio como amigo, 
pouco a pouco se chegando.
Te conhecendo um pouquinho, 
muito mais te admirando. 
Já não andava ao léu.
Já não era fria a terra...
Havia encontrado a razão, 
O motivo, 
A quimera...
Mas o tempo não espera...
Corre contra o coração.
E do tempo esqueceste.
Deixou-o na solidão.
Ninguém é dono do tempo, 
nisso o tempo tem razão.
O que do tempo se guarda
é só uma doce ilusão




LÁGRIMAS NA CHUVA

Tão só, 
é como às vezes me sinto, 
com as mãos atadas, 
por escolha própria, 
perdido nesse imenso labirinto.
Sempre quis ser livre, 
talvez um pouco menos
do que realmente sou.
Não consigo escrever o que penso, 
não consigo entender quem sou...
Já chorei em cada canto minha saudade.
E já perdi a esperança de sobreviver...
Mas agora é tarde demais, já amanheceu, tudo está mais claro.
Porém, ainda me sinto um pouco perdido, 
como lágrimas na chuva...

MIRACLEMAN DE ALAN MOORE


KIMOTA - MIRACLEMAN ESTÁ DE VOLTA







Uma obra famosíssima das histórias em quadrinhos e recheada de polemicas, considerada por muitos como a verdadeira obra prima do inigualável Alan Moore, Miracleman revolucionou a nona arte, principalmente no que se refere aos quadrinhos de super-hérois. Trazendo uma abordagem adulta e sombria, altamente violenta, Moore revolucionou o personagem, inserindo algumas das idéias que aproveitaria mais tarde em obras como Watchmen e V de Vingança. Miracleman está sendo publicado no Brasil pela Panini, (já saiu o número 08), em formato americano, mensal.
Mas antes de tratar da fase Moore que a edição cobre, é preciso contextualizar um pouco, voltando ao ano de 1940, no surgimento do personagem Capitão Marvel. Sim, esse mesmo. O garoto Billy Batson, que grita “Shazam” e se torna um super-herói mágico que usa um macacão vermelho e tem um raio amarelo no peito. Criado pela editora Fawcett, o novo herói fez tanto sucesso, que suas revistas começaram a vender mais do que o próprio Superman da DC Comics. A DC então, após algumas disputas judiciais perdidas onde alegavam violação de direitos autorais, conseguiu fechar um acordo com a Fawcett em 1953, tirando o Capitão Marvel de circulação. O problema é que esse acordo prejudicou uma editora na Inglaterra, a Len Miller. A editora, que possuía os direitos de publicação do Capitão Marvel no Reino Unido, se viu em apuros quando perdeu o seu carro-chefe de um dia para outro. Era preciso resolver o problema, e assim foi chamado o escritor e desenhista Mick Anglo. Sua missão? Criar um personagem tão legal quanto o Capitão Marvel. Assim, Anglo inventou o Marvelmanuma versão britânica do Capitão Marvel, onde um garoto chamado Micky Moran também recebe poderes (com a diferença que aqui são poderes atômicos, e não mágicos), que são ativados quando ele grita uma palavra: Kimota (ao invés de Shazam). Além de ter também uma “família” de ajudantes que de alguma forma recebem os mesmos poderes. Sim, o personagem surgiu como nada mais que um plágio. Com histórias simplórias e infantis, a revista se mostrou um sucesso de vendas, sendo publicada de 1954 a 1963. Mas afinal, então porque o personagem é tão icônico? Acontece que em 1981, um jovem Alan Moore foi convidado para reinventar o personagem, e o que ele fez foi simplesmente revolucionário. Moore não apenas deu uma nova roupagem ao Marvelman, criando todo um clima mais adulto na revista, como ainda deu um jeito para encaixar as histórias mais simples da década de 50 no contexto da sua trama. Seus roteiros densos revolucionaram os quadrinhos de super-heróis, e Marvelman se tornou um clássico instantâneo. Após a editora que publicava a HQ na Inglaterra falir, Moore concluiu sua fase à frente do personagem em uma editora americana, com o herói rebatizado para Miracleman, devido a uma reclamação da Marvel sobre direitos autorais. Após o encerramento da “Era Moore”, a HQ passou a ser escrita por ninguém menos que Neil Gaiman, que infelizmente não pôde concluir sua fase, quando essa segunda editora também veio a encerrar suas atividades. Sendo assim, além do final em aberto, os direitos de publicação do personagem ficaram durante anos em disputas judiciais, e o Miracleman nunca mais foi publicado (ou republicado). Até que em 2012 a Marvel conseguiu os direitos do personagem, que voltou a ser publicado em 2013.
 A grande novidade é que, além de republicar toda a fase de Alan Moore em sequência, também teremos a posterior fase de Neil Gaiman, que promete finalmente lançar a edição final, que ficou impossibilitado na década de 80.
Além dessa série de implicações acerca do personagem, como plágio, problemas de direitos autorais, editoras falindo e anos de disputas judiciais, quando o personagem finalmente pôde voltar às bancas, Alan Moore ainda trouxe mais uma polêmica: O autor exigiu que o seu nome não fosse creditado nas revistas. Sendo assim, tanto nas edições americanas quanto nas de qualquer outro país, no lugar do roteirista nós temos os dizeres: “O escritor original”.
 Na publicação brasileira, também tivemos alguns problemas. Leitores reclamam da decisão editorial da Panini em publicar a obra de forma mensal, alegando que pela grandiosidade da obra, o tratamento mínimo seria um encadernado.
O problema, é que na publicação americana, Miracleman se encontra ainda na edição 13, tendo apenas dois encadernados pequenos contendo 4 edições cada. Ficaria inviável começar a coleção por aqui em encadernados, ainda mais com um personagem relativamente desconhecido do grande público. Particularmente achei excelente a série ser publicada de forma mensal, principalmente pelo ótimo custo-benefício, além de ser uma forma mais fácil de trazer novos leitores e apresentá-los ao personagem.
A primeira edição brasileira, assim como a americana, traz além da história de Moore as primeiras publicações de Marvelman ainda na década de 50, a título de curiosidade, além de alguns extras que contam um pouco da história do personagem e de seu criador, Mick Anglo.
Na história de Moore, que é afinal o mais importante, temos um Micky Moran já adulto, jornalista, casado, e por algum motivo completamente esquecido de seu passado como Miracleman, a não ser pelo sonho constante onde ele é o herói atômico e impede crimes com seus poderes especiais ao lado dos seus parceiros Jovem Miracleman e Kid Miracleman.
No sonho, Micky sabe que existe uma palavra-chave que ativa os seus poderes, mas ao despertar ele não se recorda qual seria, e fica se perguntando  o significado desses sonhos repetitivos. Até que um dia, enquanto cobre uma matéria, se vê em meio a um ousado roubo de isótopos de plutônio, e ao dar de cara com uma porta com a palavra “atômica“, Micky a lê de trás pra frente e imediatamente tem seus poderes e memória reavivados. Kimota!
 Lembrando de seu passado como Miracleman, Micky impede o roubo e conta à sua esposa sobre suas aventuras na década de 50, quando era apenas um garoto. Porém, o protagonista ainda vai descobrir que muita coisa sobre o seu passado pode não ser bem o que ele acredita que seja. Essa é a premissa básica, apresentada por Moore nessa primeira edição. O interessante aqui é como ele linka o passado do personagem na trama que criou, trazendo uma roupagem nova, mais madura e complexa, ao mesmo tempo que não abandonou as histórias simplórias criadas por Mick Anglo tantos anos atrás.
Resumindo, Miracleman é indispensável para qualquer leitor de quadrinhos, não apenas pelo sua importância histórica, mas também pela qualidade do material. Independente da forma como seja lançado, é uma obra que precisa ser lida, e algo essencial para se ter na coleção.




Miracleman destroçando cabeças





domingo, 23 de agosto de 2015

Estrêla a Brilhar



ESTRÊLA A BRILHAR

Olhe nos olhos e veja...
alguém é sua estrêla...
Quando me encontro ao seu lado
Fico feliz por chegar às nuvens.
E enquanto caminho sobre elas,
o céu se abre ao ver seu sorriso.
Raios de Sol refletem em seus olhos,
que mesmo à noite, brilham como você,
uma estrêla a caminhar nesse mundo...
Mas quando não está por perto,
tudo se torna noite e sombrio.
No céu vejo só a esperança de vê-la,
novamente se abrir ao seu sorriso.
Mas em um pequeno espaço nas nuvens
vejo que lá se encontra você:
uma linda estrêla a brilhar ...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

MORRE A BATGIRL



YVONE CRAIG -  SANTA PERDA BATMAN!




Morreu aos 78 anos, nesta Segunda Feira, dia 17 de Agosto, vitima de cancer de mama, em sua casa no estado da California, a atriz Yvone Craig, a eterna BatGirl, do seriado Batman, dos anos 60.
Yvone começou sua carreira no The Ballet Russe de Monte Carlo e, como uma dançarina treinada, era capaz de realizar suas próprias cenas de ação ao lado de Adam West (Batman). Ela também participou de Star Trek (Jornada nas Estrêlas), em um episódio da 3a. Temporada, como Martha, uma escrava de Orion que tenta seduzir e martar o capitão Kirk. Também estrelou 2 filmes ao lado de Elvis Presley, (Loiras, Morenas e Ruivas e Com Caipira não se brinca).
Entretanto, seu papel mais marcante será sempre lembrado como a bibliotecária Barbara Gordon, a filha do Comissário Gordon, e sua identidade secreta de BatGirl. Ela entrou no seriado do Batman em 1967, durante a 3a e última temporada do programa. No início, a atriz achou que seu papel não chamaria muita atenção, mas sua interpretação rendeu constantes elogios e agora ela é vista como a melhor BatGirl. 














 

sábado, 25 de julho de 2015

A VERDADE JÁ ESTAVA LÁ FORA


OS INVASORES



Novamente pela inesquecível TV Itacolomi, tomei contato com uma série extraordinária, uma ficção que mais parecia um bom filme de terror, naqueles maravilhosos anos 60.
As noites de Sábado até então eram reservadas para o Telecacth Montilla, o western Bonanza e o instigante Além da Imaginação, até que  em 1967 estreava, e eu assistia, como sempre em uma TV em preto e branco, Os Invasores (The Invaders), criada por Larry Cohen e estrelada pelo desconhecido Roy Thinnes. Ah, estava esquecendo: o seriado era patrocinado pela Gessy Lever e Martini.
Segundo vários autores a série foi baseada num filme de 1956, feito nos EUA, dirigido por Don Siegel, chamado Invasion of the Body Snatchers, (aqui no Brasil passou com o título de Vampiros de Almas), estrelado por Kevin McCarthy e Dana Wynter. Esta tese é ainda mais reforçada pois os atores Kevin McCarthy e Dana Wynter participaram de dois episódios da série: The Watchers e The Captive.
Os Invasores foi apresentada nos EUA pela rede de televisão ABC, de 10 de Janeiro de 1967 até 26 de Março de 1968, num total de 43 episódios de 50 minutos cada. 




O primeiro episódio da série, (Beachhead/Cabeça de Praia), iniciava com um fundo musical de dar arrepios, assinado pelo mestre Dominic Frontiere e o cenário de uma localidade deserta, escura, abandonada, percorrida por um Ford Sedan prateado, com teto de vinil branco, dirigido por David Vincent, (Roy Thinnes).

Começava assim a fantástica saga de David Vincent, um homem comum, um arquiteto bem sucedido, que de forma inusitada, ao presenciar e testemunhar a aterrissagem de um disco voador, uma nave de outra galáxia, mudaria totalmente sua vida. Por exatos 43 episódios, David passaria a ter dois únicos objetivos na vida, de forma desesperada, tentaria evitar os planos de invasão da Terra e procuraria um meio de convencer um mundo descrente de que o pesadelo já havia começado.

Os invasores eram seres de um planeta que estava para ser extinto e já se encontravam entre nós, haviam tomado a forma humana e tinham iminentes planos de invasão em massa para fazer da Terra o seu mundo. Apesar de se confundirem com a aparência humana, os invasores não tinham pulsação, não apresentavam batidas cardíacas, não possuíam sangue nas veias e alguns apresentavam uma notável deformidade no quinto dedo das mãos, causada por um erro de cálculo no processo de mutação para a forma humana
Após algum tempo na forma humana,  precisavam se regenerar em gigantescos tubos movidos por geradores potentíssimos de tecnologia alienígena e brilhavam feito luzes incandescentes antes de morrer, sendo  pulverizados não deixando  rastros ou sinais de suas presenças na forma humana. Os episódios que compõem toda a trama são centrados numa personagem inicialmente tido como um lunático pela opinião pública.
 Um arquiteto que é motivo de chacota em todo lugar que aparece, mas que representa o que parece ser a única tábua de salvação para uma humanidade descrente. Um personagem solitário que enfrenta uma raça de seres invasores que objetivam o domínio pleno do mundo terreno. 

 
Além da metáfora óbvia do medo comunista, a série se sustentava em pernas próprias, sempre nesse clima de conspiração e abordando temas universais em textos muito bem trabalhados. Um dos meus favoritos trata de religião (s01e12 – The Storm) e a pergunta ao final era: se é errado matar seres humanos, o que dizer de matar alienígenas, já que eles seriam produto do mesmo Deus que nos criou (ou, no caso de você ser ateu, se os aliens também têm uma consciência análoga à dos seres humanos)?




O que mais me surpreendeu foi como The X-Files chupou toda a mitologia principal de The Invaders. Não é segredo nenhum que Chris Carter disse ter usado o seriado como inspiração, mas ao assistir e analisar, o grau de semelhança foi muito maior do que eu esperava. A caracterização do protagonista (Fox Mulder = David Vincent), vários arcos da trama, temas e plots de episódios, a ideia do “Sindicato” (tirada do episódio duplo Summit Meeting) e até locações, como extensos campos de milharal sendo cenários de perseguições e silos misteriosos/bases militares no meio do nada escondendo segredos de outro mundo. Carter prestou uma homenagem explícita ao escalar Roy Thinnes para viver Jeremiah Smith, um ser com habilidades de cura, num ótimo arco de The X-Files.
É interessante ver como estruturalmente a série conseguia atingir tanto uma mitologia forte quanto se estabelecia com episódios semanais independentes. Você não perdia o fio da meada se não assistisse a alguns episódios. Mas, vendo tudo em sequência, percebe-se claramente um crescendo na trama, com David Vincent conseguindo cada vez mais atingir os planos alienígenas, descobrir que eles estão exercendo cargos importantes, como juízes, políticos, etc..

























Ao final, David Vincent não consegue colocar fim à conspiração alienígena e a série foi cancelada por baixa audiência, com 43 episódios exibidos. Em 1995, talvez por causa do sucesso de The X-Files, uma continuação foi feita no formato de minissérie, com Scott Bakula (da série Quantum Leap) vivendo outro personagem que combatia os aliens invasores





                                                        Abertura original de "Os Invasores"

terça-feira, 21 de abril de 2015

CRIAÇÃO


As goteiras são lágrimas de chuva,
que por sua vez são lágrimas do céu,
que é a morada de Deus.
Minhas palavras são goteiras de poesia,
que por sua vez são gotas da imaginação,
que é a viagem nos carinhos teus.
Minhas horas de inspiração
são palavras de desabafo,
que por sua vez me levam ao teu encontro,
que é toda a vida o momento meu!

UMA VIAGEM NO "TUNEL DO TEMPO"





 
Elenco principal de O Túnel do Tempo


Nos incríveis anos 60, na segunda metade, conheci através da TV Itacolomi, um seriado extraordinário, pra mim, naquela época, um marco na TV, pois para minha jovem imaginação, eu viajava pelas eras com a dupla de heróis do programa. Pelas imagens de uma TV em preto e branco a imaginação surfava por mares bravios e inimagináveis.
O Túnel do Tempo é uma série de ficção científica que mostrou, com muito sucesso, as aventuras de dois cientistas que realizam viagens através do tempo. O programa foi a terceira série de ficção-científica criada e produzida para a tevê pelo produtor Irwin Allen sendo lançada pelo estúdio 20th Century Fox Television e transmitida pela rede de televisão americana ABC. Apesar da audiência, durou apenas 30 episódios em uma única temporada, devido ao seu elevado custo de produção.
O produtor Irwin Allen já tinha emplacado a série Viagem ao Fundo do Mar na rede ABC americana e estava se preparando para lançar Perdidos no Espaço na CBS. Foi quando a ABC o convidou para produzir uma série sobre viagens no tempo.
Naquela época, havia sido lançado um livro chamado The Time Tunnel (O Túnel do Tempo), escrito por Murray Leinster. A publicação falava de um túnel em uma viela parisiense, usado para se chegar à era Napoleônica, onde negociadores de arte estavam roubando velhos artefatos. Apesar da história ser fraca, inspirou Allen a criar um grande projeto para a tevê.

A HISTÓRIA

O Projeto Tic-Toc é uma empreitada secreta do governo americano para a construção de uma máquina do tempo, conhecida como Túnel do Tempo, devido a sua aparência de um corredor cilíndrico. A base para o projeto é um enorme complexo oculto no subsolo em uma locação do Arizona, situada 800 andares abaixo da superfície, onde trabalham mais de 36 mil pessoas.
Os diretores responsáveis pelo projeto são o Dr. Douglas Phillips (Robert Colbert), o Dr. Anthony Newman (James Darren) e o Tenente-General Heywood Kirk (Whit Bissel). Seus auxiliares são o Dr. Raymond Swain (John Zaremba), um grande especialista em eletrônica, e a Dra. Ann MacGregor (Lee Meriwether), uma eletro-bióloga responsável pela supervisão da unidade que determina quanto calor um viajante do tempo é capaz de resistir. A série se passa em 1968, praticamente dois anos no futuro do tempo original da transmissão da série.
O Tic-Toc estava em seu décimo ano, e perto de definitivamente começar a dar resultados, quando o senador dos Estados Unidos Leroy Clark (Gary Merrill) trata de fazer uma investigação a fim de avaliar a continuidade do projeto, que já havia consumido 7,5 bilhões de dólares. Clark achou que o Tic-Toc estava desperdiçando dinheiro dos cofres do governo, visto que aquilo tudo seria um “brinquedo caro que apenas fez alguns animais desaparecerem e nada mais”.
Após uma conversa com Phillips, Newman e Kirk, o senador dá um ultimato: ou eles realmente conseguem enviar uma pessoa através do tempo em até 24 horas ou ele retirará para sempre o financiamento do projeto.
Mais tarde, Tony decide ele mesmo testar o túnel secretamente, mesmo que o equipamento ainda não esteja aperfeiçoado e sem saber se conseguirá voltar. Seu objetivo é provar que as viagens no tempo são possíveis e salvar o projeto. O cientista realmente desaparece e, ao perceberem que a máquina foi ativada, técnicos e cientistas começam a rastrear o viajante. Até que Tony aparece em 1912, a bordo do navio Titanic, um dia antes de seu afundamento!
Tony tenta contar a verdade ao capitão do navio sobre o que vai acontecer no dia seguinte. Mas, é considerado louco e preso no porão por ser clandestino. No laboratório, os técnicos localizam Tony e percebem que ele tem de receber ajuda urgente para se libertar da cela, ou morrerá afogado. Assim, Doug recebe permissão do General Kirk para viajar no tempo e encontrar o colega cientista preso no passado.
Tony é solto por Doug, mas o navio realmente sofre o impacto do iceberg. Ambos ajudam a salvar os passageiros em botes salva-vidas e, quando estão prestes a cair no mar, a sala de controle do Túnel do Tempo consegue congelá-los e iniciar uma tentativa de transferência para o presente. Então, algo dá errado e eles não voltam para casa, mas, sim, a uma outra época, no compartimento de um foguete, prestes a decolar para Marte. Tony e Doug estão presos no tempo, devido a um mal funcionamento do equipamento!
Com isso, o Senador Clark retorna a Washington com a promessa de que o financiamento não será cortado para o projeto, deixando General Kirk no comando. Está montado o cenário para o desenvolvimento da série.
O único elo de ligação dos dois cientistas e seus colegas é uma grande tela da sala de controle do Túnel do Tempo, capaz de captar as imagens em tempo real da época em que Tony e Doug estão. Assim, os dois vivem momentos históricos e ajudam figuras importantes do passado a escrever seus nomes na história.
Tony e Doug estão conectados de uma época da história para outra, definindo assim os episódios que se estenderão no passado e futuro. Ambos são firmes em suas determinações de manter um ao outro a salvo, arriscando-se na esperança de um dia voltarem para casa. No episódio-piloto, por exemplo, Tony fica preso em uma mina que desmoronou e Doug  tenta soltá-lo. Ambos podem ficar soterrados a qualquer momento.
Grande parte dos episódios inicia-se com a seguinte narração, na voz original de Dick Tufeld (o Robô de Perdidos no Espaço) e narrada em português por Ibrahim Barchini, do estúdio AIC:
“Dois cientistas americanos se encontram perdidos nos infinitos labirintos de épocas passadas e futuras, durante a primeira experiência do maior e mais secreto projeto americano: o Túnel do Tempo. Tony Newman e Doug Phillips partem agora indefesos para uma nova e incrível aventura, em alguma parte dos eternos caminhos do tempo”.
Tony e Doug tomam parte de notáveis eventos do passado, tais como o já citado naufrágio do Titanic, o ataque a Pearl Harbor, a erupção do Krakatoa, a Batalha do Álamo e muitos outros. Da sala de controle, o General Kirk, Ray e Ann são capazes de monitorá-los no tempo e espaço que se encontram. Se comunicam com os cientistas através de transmissões de voz e enviam-lhes armas e equipamentos pelo túnel.
Infelizmente, quando a série foi cancelada abruptamente no verão de 1967, não chegou a ser filmado um episódio em que os dois cientistas retornam para o complexo Túnel do Tempo em segurança.

Viajar Pelo Tempo Torna-se Possível

A viagem através do tempo é facilitada pelo fato de uma determinada época ser retratada como um espaço continuum, acessível em qualquer ponto através da engenhosa máquina (o túnel) como um corredor abrangendo seus alcances infinitos. No primeiro episódio, por exemplo, quando o Senador Clark vê a imagem do transatlântico na tela da sala de controle (foto), ele é informado pelo Dr. Swain que está sendo visto o “passado vivo”. O Salão Althea, por sua vez, é informado por Tony Newman que o passado e o futuro são um só.
O projeto também é um portal que liga o “complexo” Túnel do Tempo com as mesmas épocas do tempo em que Doug e Tony se encontram. Outras pessoas do tempo podem ser realocadas pelo Túnel de sua era para uma outra, como Maquiavel é alternado de sua Era para a da Campanha de Gettysburg, em 1863.
No decorrer da série, Doug, Tony e as pessoas envolvidas no projeto do Túnel do Tempo descobrem que os eventos do passado podem ser alterados, em certa medida, pela intervenção dos viajantes do tempo e, em alguns eventos, sua pesquisa histórica permite tais alterações.
O episódio 26 (“O Ataque dos Bárbaros”), por exemplo, explora o cenário de um dos viajantes do tempo se apaixonando por uma personalidade do passado: Tony e a Princesa Serit, filha de Kublai Khan. Marco Polo diz a Doug: “Eles não podem se tocar um ao outro?”. A própria História aponta para a possibilidade de Serit se casar com Tony, conforme Ann informa ao General Kirk. A informação histórica sobre as vítimas de Billy The Kid causa alarme a Ann, Ray e o General Kirk, pois a mesma registra que Billy The Kid matou dois forasteiros próximo de Lincoln, Novo México, em abril de 1881, justamente quando Tony, Doug e Billy The Kid estão reunidos.

Produção da Série

Foram utilizados sets, imagens de arquivos de filmes da 20th Century Fox Film Corporation, bem como figurinos que sobraram de um grande número de dramas de época, também produzidos pela Fox. Até fotos em preto e branco do naufrágio do Titanic foram utilizadas nesta produção televisiva a cores.
Somente alguns atores usaram trajes para um determinado episódio, intercalados com cortes (edição) de grande massa de pessoas vestidas de forma similar, a partir de características originais. Apenas um set foi construído especialmente para o programa, que foi a sala de controle principal do Túnel do Tempo.
Para o episódio-piloto, foi construído um grande set de filmagem caracterizando a sala de controle, e um longo túnel do tempo foi criado utilizando-se filmagens de óptica fosca.
Após o piloto, ocorreram mudanças de locação para produzir a série. Os atores Colbert e Darren (os personagens Doug e Tony, respectivamente) filmaram suas cenas em outro estúdio, nos fundos da 20th Century Fox, ou em locação, enquanto que aqueles que interpretaram a equipe do complexo Túnel do Tempo fizeram suas tomadas em um set menor e revisto para a Sala de Controle do Túnel do Tempo (devido à produção ter de utilizar um estúdio de acústica menor do que o anterior usado para a filmagem do episódio-piloto).
Alguns episódios contaram com alienígenas que vestiam trajes e adereços originalmente criados para outras produções de TV e cinema realizadas por Irwin Allen.
Erros de continuidade e erros em fatos históricos ocorreram em toda a série. No episódio de estreia, “Volta ao Passado”, por exemplo, o Capitão Smith do Titanic é chamado de “Malcolm”, quando historicamente seu nome era Edward. Os nomes dos oficiais secundários também são fictícios, ainda que o livro campeão de vendas de Walter Lord, “A Night To Remember”, tivesse sido lançado apenas nove anos antes. Tony afirma que ele nasceu em 1938. Alguns episódios depois, em “O Dia Que o Céu Desabou”, ele afirma que tinha sete anos quando Pearl Harbor foi bombardeada em 1941, o que matematicamente torna 1934 seu ano de nascimento.
A única trilha original de O Túnel do Tempo é seu tema de abertura, composto por John Williams (creditado como “Johnny Williams”). Por uma questão de economia, talvez, Irwin Allen se utilizou de trilhas sonoras de outros filmes da Fox nos episódios da série. Notadamente, a grande maioria dessas trilhas é do compositor Bernard Herman. Este que já havia trabalhado com o diretor Alfred Hitchcock e fez muitos  trabalhos para a Fox, além de ser amigo pessoal de Irwin Allen.
No episódio “O Fantasma de Nero”, ouve-se a trilha do filme “Viagem ao Centro da Terra” (1959), composta por Herman no mesmo ano. No episódio “Os Raptores”, é usada a trilha do filme “O Dia em Que a Terra Parou” (1951). E nos 30 episódios de O Túnel do Tempo, é possível ouvir fragmentos dessas duas trilhas.
A série ganhou um Emmy Award (o Oscar da televisão) em 1967, por realizações individuais em Cinematografia. O prêmio foi para L.B. “Bill” Abbott, por seus efeitos especiais de fotografia.

Temas Recorrentes

 Ao final de cada episódio de O Túnel do Tempo é sempre exibido um mini-trailer do episódio seguinte, mostrando Doug e Tony chegando ao seu próximo destino. Este recurso também foi utilizado pelo produtor Irwin Allen, na série Perdidos no Espaço.
 A impressionante introdução para a escala do projeto (mais de 36 mil pessoas e enormes edifícios subterrâneos) nunca é vista após o primeiro episódio, exceto por dois trechos filmados e usados repetidas vezes. Um é do enorme gerador de energia piscando e outro do túnel de segurança que funciona através de uma passarela. Algumas destas filmagens foram uma homenagem ao filme clássico de ficção-científica “O Planeta Proibido” (Forbidden Planet, 1956, MGM), mas novas pinturas foscas e modelos foram criados especificamente para o episódio-piloto de O Túnel do Tempo.
 Virtualmente, cada episódio envolve a captura ou o cárcere de Doug, Tony, ou ambos, assim como fuga, recaptura, nova fuga, antes da transição de ambos para o próximo episódio.
 Quase todas as locações usadas para as filmagens situaram-se no sul da Califórnia ou arredores. Isso fez com que as cenas que se passam em diferentes partes do país (ou do mundo) tenham a mesma paisagem montanhosa, com árvores arejadas e plantas típicas da região onde ocorreram as filmagens. 
 Doug e Tony quase sempre aparecem em algum lugar do passado. Eles viajaram para o futuro apenas em quatro ocasiões: duas em 1978, uma no ano de 8433 e, em parte de um episódio, viajaram a 1 milhão de anos D.C., para um futuro irreconhecível.
 Alienígenas e pessoas do futuro estão quase sempre vestidos de forma idêntica, muitas vezes em folhado de alumínio, como visto em outras séries de TV produzidas por Irwin Allen na época.
• Normalmente, Tony e Doug viajam no tempo juntos. Apenas em algumas ocasiões eles foram transportados a lugares ou épocas diferentes.
• Os protagonistas da série estão sempre com a mesma roupa e elas se mantém muito limpas.
• Tony e Doug nunca dormem? Os cientistas do túnel não descansam? Praticamente estão sempre monitorando a posição dos dois cientistas.
Existe um romance entre a Dra. Ann MacGregor e o Dr. Douglas Phillips. Isso fica claro no episódio “Os Raptores”, quando, ao se reencontrarem, Ann dá um caloroso abraço em Doug, provando serem mais do que colegas de trabalho.
No episódio “O Dia em que o Céu Desabou”, é possível saber sobre a história de Tony Newman, que era uma criança quando Pearl Harbor foi atacada pelos japoneses. Pode-se ver Tony arrasado com o desaparecimento de seu pai durante o ataque, ele que era um comandante naval. O telespectador pôde ver que o pai de Tony foi atingido por uma bomba que caiu na instalação que ele estava operando. Tony tinha vivido por anos sem saber o que tinha acontecido com seu pai e, sabendo da catástrofe que estava para acontecer, contou a seu pai que ele era seu filho, antes que o oficial fosse morto.
Já que Doug e Tony viajam através da história, eles rapidamente se tornam história, já que ignoram a possibilidade de alterar o futuro ajudando as pessoas no passado. Mesmo que tenham que ajudar Arthur a se tornar um rei, ou ensinar Marco Polo os finos aspectos das armas de pólvora. Não só Tony e Doug podem alterar o passado, mas frequentemente, os personagens que estão com eles são acidentalmente enviados para o futuro, a fim de que possam alterar o presente do túnel: um garoto com uma bomba a ser usada para matar Lincoln acaba no túnel, bem como um francês louco pelo poder e um pirata sedento por sangue. De forma geral, as mudanças feitas pelos dois cientistas não são grandes; o Titanic afundou realmente, mas algumas vidas extras foram salvas graças à intervenção deles.

Episódio-Piloto

Shimon Wincelberg, que já havia escrito o episódio-piloto de Perdidos no Espaço (sob o nome de S. Barr David), também foi o responsável por escrever o piloto de O Túnel do Tempo. O nome do episódio foi “The Man who Killed the Time”, que acabou não sendo filmado, mas tem muita semelhança com o piloto definitivo.
Neste piloto original, o nome de Doug era Peter e ele viajava no tempo por conta própria, sem Tony. Apesar das diferenças, ele também cai no Titanic, mas sob outras condições. A jovem dama que Tony encontra é uma estranha que ele faz amizade, e termina salvando sua vida. No piloto original, Dr. Peter Phillips descobre que seu pai e avô estão a bordo do Titanic e isso torna uma questão muito pessoal para ele salvá-los.
Irwin Allen gostou do script acabado, a 20th Century Fox aprovou, mas a ABC rejeitou. Eles queriam drásticas mudanças se O Túnel do Tempo fosse tornar-se uma série. Para maior aflição de Wincelberg, a Fox pensou ser mais diplomática contratar outro escritor, Harold Jack Bloom, para fazer as revisões. O script final filmado suporta os nomes de três escritores: Allen, Wincelberg e Bloom. Foram derrubadas as ideias de Peter Phillips e seus parentes; onde era Tony Newman virou Doug Phillips; e houve muito menos drama pessoal.
Entretanto, o piloto gravado é muito bom de ser visto e mereceu grande audiência, graças ao excelente elenco convidado, com Michael Rennie, Gary Merrill e Susan Hampshire (foto).

Elenco da Série

- Robert Colbert começou sua carreira no longa-metragem “O Foguete Errante”, dos Três Patetas, em 1959. Na época ele se chamava Bob Colbert. Após a série, não teve muita sorte. Apareceu no longa “Viagem Sob o Mar” (1970 – Warner Bros.), com elenco misto das séries Viagem ao Fundo do Mar e O Túnel do Tempo. O filme foi feito para a tevê, mas exibido no Brasil em alguns cinemas. Após este longa-metragem, Colbert passou a engordar bastante e ficou com o cabelo bem grisalho. Apareceu em vários episódios de Missão Impossível e Smith & Jones. Anos mais tarde, em 1988, apareceu em dois episódios de Dallas, mas com fisionomia praticamente irreconhecível. Hoje, Colbert está com 83 anos, aposentado, e frequenta alguns eventos sobre séries da televisão americana.
- O cantor de rock James Darren começou sua carreira em 1961, no filme “Os Canhões de Navarone”, mas ganhou fama nos longas-metragens da série Gidget, ainda na década de 1960. Antes de seu papel em “Túnel”, foi coadjuvante em episódios de Viagem ao Fundo do Mar, dublou Zé Colmeia no filme de animação “Hey There, It’s Yogi Bear” (1964) e também dublou em alguns episódios de Os Flintstones. Na década de 1970, Darren participou de minisséries e telefilmes e participou de episódios de séries como O Jogo Perigoso do Amor, S.W.A.T. Police Woman,  As Panteras, Hawaii 5-0, Vega$, O Barco do Amor e A Ilha da Fantasia. Na década seguinte, conseguiu fama com o papel fixo de Tenente Corrigan, na série Carro Comando (1982/86), ao lado de William Shatner. Já nos anos 1990, participou de Raven, Melrose Place e Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine. Dirigiu alguns episódios de Esquadrão Classe A, Barrados no Baile e  Melrose Place. Como cantor, Darren lançou vários álbuns e excursionou pelo mundo. Darren está atualmente com 78 anos e ainda faz shows como cantor. Casou-se duas vezes: com Gloria Terlitzky (com quem teve o filho Jim Moret, que foi repórter da CNN) e com Evy Norlund, com quem tem os filhos Christian Darren (escritor) e Tony Darren (músico, compositor e cantor).
Talvez quem mais teve sorte na carreira tenha sido a ex-Miss América e atriz Lee Meriwether. Começou na década de 1950, fazendo pontas em filmes como “Quarta Dimensão” (1955) e outros. Após o termino do “Túnel”, voltou a fazer aparições em séries e filmes, até que foi contratada pela Paramount para a série Missão: Impossível, nas temporadas de 1969 a 1971, ao lado do lendário Leonard Nimoy.
Teve participações em outras séries, como Jornada nas Estrêlas e fez o longa-metragem de Batman para o cinema (1966), no papel de Mulher-Gato, ao lado de Adam West e Burt Ward. Voltou a fazer pontas, até que conseguiu participar de outra série: Barnaby Jones, nas temporadas de 1975 a 1979. Também participou de um longa-metragem da série Os Monstros, onde fez o papel de Lilly Monstro.
Whit Bissel, o General Heywood Kirk, começou sua carreira em 1947, no filme “Brutalidade”, ao lado de Burt Lancaster. Fez pequenos papéis e pontas em alguns seriados. Após O Túnel do Tempo, voltou a trabalhar com aparições e participou do filme “Aeroporto” (1969).
John Zaremba apareceu no episódio-piloto de Viagem ao Fundo do Mar (1964) e nas séries Terra de Gigantes e Glenn Ford é a Lei.
Para o elenco, excetuando os protagonistas Colbert e Darren, gravar um episódio da série era muito fácil. Basicamente, tinham de apertar botões, girar alavancas e gritar um eventual “Tony, cuidado!” ou “Nós os estamos perdendo!”. Mas, Lee Meriwether declarou certa vez que os atores do laboratório tinham de atuar olhando para uma tela branca, sem imagens. Eles tinham que fingir estar vendo Doug e Tony, mas estas cenas com os cientistas, geralmente, sequer haviam sido gravadas.

O Fim da Série

O uso de sobras de cenas de filmes do estúdio 20th Century Fox tornou possível que Doug e Tony voltassem no tempo dentro do orçamento da produção. Mas, muitos episódios tiveram de ser escritos para se ajustar a algum filme disponível, algo que comprometeu muito a qualidade de um roteiro. Os escritores reclamavam que Allen trocava diálogos por mais ação e explosões e isso resultou em muitos episódios fracos.
Apesar de tudo, a série foi considerada boa e os efeitos especiais impressionantes. Mas, o fato de Irwin Allen rejeitar scripts historicamente corretos, ou histórias que requeriam alguma reflexão por parte do telespectador, deixou o show um pouco infantil.
Não havia realmente condição de fazer certas sequências com efeitos especiais, tal como o afundamento de um transatlântico, com a magra verba de uma série de tevê. Por isso, cada episódio histórico surgiu de um filme, fazendo O Túnel do Tempo uma reprise de gêneros. O episódio “Viagem à Lua” usou cenas do filme “Destination Moon”. “Presente de Grego” usou “The 300 Spartans” para as cenas dos exércitos troiano e grego em batalha.
Geralmente as montagens davam certo, mas há ocasiões que nem tanto. No episódio “Viagem à Lua”, o modelo do foguete que é visto decolando do Cabo Kennedy é diferente do foguete visto em cenas do restante do episódio.
Os piores sets foram os que se passaram no futuro. Quando todas as ideias acabaram e o acervo de filmes se tornou escasso, a qualidade caiu bastante, com episódios tolos e impossíveis de levar a sério.
Talvez, a ideia de o Governo Americano ter conseguido manter em segredo um projeto do tamanho do Tic-Toc em um local com 12 mil pessoas, 800 andares de profundidade é algo menos aceitável que realmente existir um túnel do tempo. Mas essa era a marca de Irwin Allen, um homem que muitas vezes pediu: “Não seja lógico comigo”.
Em face a todos esses problemas e a competição por ser exibido originalmente nos EUA nas noites de sexta-feira, entre o popular James West na CBS e O Agente da U.N.C.L.E. na NBC, Tony e Doug foram “vítimas”, mas não por estarem perdidos no tempo e, sim, pela queda de audiência. Apesar de “Túnel” não ir tão mal, e até chegou a ser escalado para ter uma segunda temporada, era um show caro, sem dúvida influenciando a decisão da ABC em cancelá-lo após um ano. O show mais inovador de Irwin Allen estava acabado. As reprises foram boas para a popularidade da série, em exibições vespertinas em estações locais.
 Um elemento adicional de dor de cabeça para todos os envolvidos na produção da série foi o orçamento. Irwin Allen estava pressionado para não extrapolar e, muitas vezes, um script que deveria ser rodado em cinco dias era apressado para quatro, até três dias, para economizar dinheiro. Com essa pressão de Allen em cima das equipes, o ambiente foi ficando ruim, afetando a todos. Robert Duncan, um talentoso roteirista que havia feito scripts para Perdidos no Espaço e Terra de Gigantes declarou que não era uma agradável experiência escrever para O Túnel do Tempo. Brigas constantes deixavam todos de mau-humor e Duncan admitiu que os sets de filmagem “não eram um lugar para levar nossas crianças ou pais”. Duncan queria produzir diálogos mais substanciais, mas Allen queria falas simples, como “vamos!”.