Nos incríveis anos 60, na
segunda metade, conheci através da TV Itacolomi, um seriado extraordinário, pra
mim, naquela época, um marco na TV, pois para minha jovem imaginação, eu
viajava pelas eras com a dupla de heróis do programa. Pelas imagens de uma TV
em preto e branco a imaginação surfava por mares bravios e inimagináveis.
O Túnel do Tempo é uma série de ficção científica que mostrou,
com muito sucesso, as aventuras de dois cientistas que realizam viagens através
do tempo. O programa foi a terceira série de ficção-científica
criada e produzida para a tevê pelo produtor Irwin Allen sendo lançada pelo estúdio 20th Century Fox
Television e transmitida pela rede de televisão americana ABC. Apesar da
audiência, durou apenas 30 episódios em uma única temporada, devido ao seu
elevado custo de produção.
O produtor Irwin Allen já tinha emplacado a série Viagem ao Fundo do Mar na rede ABC
americana e estava se preparando para lançar Perdidos no Espaço na CBS.
Foi quando a ABC o convidou para produzir uma série sobre viagens no tempo.
Naquela época, havia sido lançado um livro chamado
The Time Tunnel (O Túnel do Tempo), escrito por Murray Leinster. A publicação
falava de um túnel em uma viela parisiense, usado para se chegar à era
Napoleônica, onde negociadores de arte estavam roubando velhos artefatos.
Apesar da história ser fraca, inspirou Allen a criar um grande projeto para a
tevê.
A HISTÓRIA
O Projeto Tic-Toc é uma empreitada secreta do
governo americano para a construção de uma máquina do tempo, conhecida como
Túnel do Tempo, devido a sua aparência de um corredor cilíndrico. A base para o
projeto é um enorme complexo oculto no subsolo em uma locação do Arizona,
situada 800 andares abaixo da superfície, onde trabalham mais de 36 mil
pessoas.
Os diretores responsáveis pelo projeto são o Dr.
Douglas Phillips (Robert Colbert), o Dr. Anthony Newman (James Darren) e o
Tenente-General Heywood Kirk (Whit Bissel). Seus auxiliares são o Dr. Raymond
Swain (John Zaremba), um grande especialista em eletrônica, e a Dra. Ann
MacGregor (Lee Meriwether), uma eletro-bióloga responsável pela supervisão da
unidade que determina quanto calor um viajante do tempo é capaz de resistir. A
série se passa em 1968, praticamente dois anos no futuro do tempo original da
transmissão da série.
O Tic-Toc estava em seu décimo ano, e perto de
definitivamente começar a dar resultados, quando o senador dos Estados Unidos
Leroy Clark (Gary Merrill) trata de fazer uma investigação a fim de avaliar
a continuidade do projeto, que já havia consumido 7,5 bilhões de dólares.
Clark achou que o Tic-Toc estava desperdiçando dinheiro dos cofres do
governo, visto que aquilo tudo seria um “brinquedo caro que apenas fez alguns
animais desaparecerem e nada mais”.
Após uma conversa com Phillips, Newman e Kirk, o
senador dá um ultimato: ou eles realmente conseguem enviar uma pessoa através
do tempo em até 24 horas ou ele retirará para sempre o financiamento do
projeto.
Mais tarde, Tony decide ele mesmo testar o túnel
secretamente, mesmo que o equipamento ainda não esteja aperfeiçoado e sem saber
se conseguirá voltar. Seu objetivo é provar que as viagens no tempo são
possíveis e salvar o projeto. O cientista realmente desaparece e, ao perceberem
que a máquina foi ativada, técnicos e cientistas começam a rastrear o viajante.
Até que Tony aparece em 1912, a bordo do navio Titanic, um dia antes de seu
afundamento!
Tony tenta contar a verdade ao capitão do navio
sobre o que vai acontecer no dia seguinte. Mas, é considerado louco e preso no
porão por ser clandestino. No laboratório, os técnicos localizam Tony e
percebem que ele tem de receber ajuda urgente para se libertar da cela, ou
morrerá afogado. Assim, Doug recebe permissão do General Kirk para viajar no
tempo e encontrar o colega cientista preso no passado.
Tony é solto por Doug, mas o navio realmente
sofre o impacto do iceberg. Ambos ajudam a salvar os passageiros em botes
salva-vidas e, quando estão prestes a cair no mar, a sala de controle do Túnel
do Tempo consegue congelá-los e iniciar uma tentativa de transferência para o
presente. Então, algo dá errado e eles não voltam para casa, mas, sim,
a uma outra época, no compartimento de um foguete, prestes a decolar para
Marte. Tony e Doug estão presos no tempo, devido a um mal funcionamento do
equipamento!
Com isso, o Senador Clark retorna a Washington com
a promessa de que o financiamento não será cortado para o projeto, deixando
General Kirk no comando. Está montado o cenário para o desenvolvimento da
série.
O único elo de ligação dos dois cientistas e seus
colegas é uma grande tela da sala de controle do Túnel do Tempo, capaz de
captar as imagens em tempo real da época em que Tony e Doug estão. Assim, os
dois vivem momentos históricos e ajudam figuras importantes do passado a
escrever seus nomes na história.
Tony e Doug estão conectados de uma época da
história para outra, definindo assim os episódios que se estenderão no passado
e futuro. Ambos são firmes em suas determinações de manter um ao outro a salvo,
arriscando-se na esperança de um dia voltarem para casa. No episódio-piloto,
por exemplo, Tony fica preso em uma mina que desmoronou e Doug tenta soltá-lo. Ambos podem ficar soterrados a
qualquer momento.
Grande parte dos episódios inicia-se com a seguinte
narração, na voz original de Dick Tufeld (o Robô de Perdidos no Espaço) e narrada em português por Ibrahim Barchini,
do estúdio AIC:
“Dois cientistas americanos se
encontram perdidos nos infinitos labirintos de épocas passadas e futuras,
durante a primeira experiência do maior e mais secreto projeto americano: o
Túnel do Tempo. Tony Newman e Doug Phillips partem agora indefesos para uma
nova e incrível aventura, em alguma parte dos eternos caminhos do tempo”.
Tony e Doug tomam parte de notáveis eventos do
passado, tais como o já citado naufrágio do Titanic, o ataque a Pearl Harbor, a
erupção do Krakatoa, a Batalha do Álamo e muitos outros. Da sala de controle, o
General Kirk, Ray e Ann são capazes de monitorá-los no tempo e espaço que se
encontram. Se comunicam com os cientistas através de transmissões de voz e
enviam-lhes armas e equipamentos pelo túnel.
Infelizmente, quando a série foi cancelada
abruptamente no verão de 1967, não chegou a ser filmado um episódio em que os
dois cientistas retornam para o complexo Túnel do Tempo em segurança.
Viajar Pelo Tempo Torna-se
Possível
A viagem através do tempo é facilitada pelo fato de
uma determinada época ser retratada como um espaço continuum, acessível em
qualquer ponto através da engenhosa máquina (o túnel) como um corredor
abrangendo seus alcances infinitos. No primeiro episódio, por exemplo,
quando o Senador Clark vê a imagem do transatlântico na tela da sala de
controle (foto), ele é informado pelo Dr. Swain que está sendo visto o “passado
vivo”. O Salão Althea, por sua vez, é informado por Tony Newman que o passado e
o futuro são um só.
O projeto também é um portal que liga o “complexo”
Túnel do Tempo com as mesmas épocas do tempo em que Doug e Tony se encontram.
Outras pessoas do tempo podem ser realocadas pelo Túnel de sua era para uma
outra, como Maquiavel é alternado de sua Era para a da Campanha de Gettysburg,
em 1863.
No decorrer da série, Doug, Tony e as pessoas
envolvidas no projeto do Túnel do Tempo descobrem que os eventos do passado
podem ser alterados, em certa medida, pela intervenção dos viajantes do tempo
e, em alguns eventos, sua pesquisa histórica permite tais alterações.
O episódio 26 (“O Ataque dos Bárbaros”), por
exemplo, explora o cenário de um dos viajantes do tempo se apaixonando por uma
personalidade do passado: Tony e a Princesa Serit, filha de Kublai Khan. Marco
Polo diz a Doug: “Eles não podem se tocar um ao outro?”. A própria História
aponta para a possibilidade de Serit se casar com Tony, conforme Ann informa ao
General Kirk. A informação histórica sobre as vítimas de Billy The Kid causa
alarme a Ann, Ray e o General Kirk, pois a mesma registra que Billy The Kid
matou dois forasteiros próximo de Lincoln, Novo México, em abril de 1881,
justamente quando Tony, Doug e Billy The Kid estão reunidos.
Produção da Série
Foram utilizados sets, imagens de arquivos de
filmes da 20th Century Fox Film Corporation, bem como figurinos que sobraram de
um grande número de dramas de época, também produzidos pela Fox. Até fotos em
preto e branco do naufrágio do Titanic foram utilizadas nesta produção
televisiva a cores.
Somente alguns atores usaram trajes para um
determinado episódio, intercalados com cortes (edição) de grande massa de
pessoas vestidas de forma similar, a partir de características originais.
Apenas um set foi construído especialmente para o programa, que foi a sala de
controle principal do Túnel do Tempo.
Para o episódio-piloto, foi construído um grande
set de filmagem caracterizando a sala de controle, e um longo túnel do tempo
foi criado utilizando-se filmagens de óptica fosca.
Após o piloto, ocorreram mudanças de locação para
produzir a série. Os atores Colbert e Darren (os personagens Doug e Tony,
respectivamente) filmaram suas cenas em outro estúdio, nos fundos da 20th
Century Fox, ou em locação, enquanto que aqueles que interpretaram a equipe do
complexo Túnel do Tempo fizeram suas tomadas em um set menor e revisto para a
Sala de Controle do Túnel do Tempo (devido à produção ter de utilizar um
estúdio de acústica menor do que o anterior usado para a filmagem do
episódio-piloto).
Alguns episódios contaram com alienígenas que
vestiam trajes e adereços originalmente criados para outras produções de TV e
cinema realizadas por Irwin Allen.
Erros de continuidade e erros em fatos históricos
ocorreram em toda a série. No episódio de estreia, “Volta ao Passado”, por
exemplo, o Capitão Smith do Titanic é chamado de “Malcolm”, quando
historicamente seu nome era Edward. Os nomes dos oficiais secundários também
são fictícios, ainda que o livro campeão de vendas de Walter Lord, “A Night To
Remember”, tivesse sido lançado apenas nove anos antes. Tony afirma que ele
nasceu em 1938. Alguns episódios depois, em “O Dia Que o Céu Desabou”, ele
afirma que tinha sete anos quando Pearl Harbor foi bombardeada em 1941, o que
matematicamente torna 1934 seu ano de nascimento.
A única trilha original de O Túnel do Tempo
é seu tema de abertura, composto por John Williams (creditado como “Johnny
Williams”). Por uma questão de economia, talvez, Irwin Allen se utilizou de
trilhas sonoras de outros filmes da Fox nos episódios da série. Notadamente, a
grande maioria dessas trilhas é do compositor Bernard Herman. Este que já havia
trabalhado com o diretor Alfred Hitchcock e fez muitos trabalhos para a
Fox, além de ser amigo pessoal de Irwin Allen.
No episódio “O Fantasma de Nero”, ouve-se a trilha
do filme “Viagem ao Centro da Terra” (1959), composta por Herman no mesmo ano.
No episódio “Os Raptores”, é usada a trilha do filme “O Dia em Que a Terra
Parou” (1951). E nos 30 episódios de O Túnel do Tempo, é possível ouvir
fragmentos dessas duas trilhas.
A série ganhou um Emmy Award (o Oscar da televisão)
em 1967, por realizações individuais em Cinematografia. O prêmio foi para L.B.
“Bill” Abbott, por seus efeitos especiais de fotografia.
Temas Recorrentes
• Ao final de cada episódio de O Túnel do Tempo é sempre exibido
um mini-trailer do episódio seguinte, mostrando Doug e Tony chegando ao seu
próximo destino. Este recurso também foi utilizado pelo produtor Irwin Allen,
na série Perdidos no Espaço.
• A impressionante introdução para a escala do
projeto (mais de 36 mil pessoas e enormes edifícios subterrâneos) nunca é vista
após o primeiro episódio, exceto por dois trechos filmados e usados repetidas
vezes. Um é do enorme gerador de energia piscando e outro do túnel de
segurança que funciona através de uma passarela. Algumas destas filmagens foram
uma homenagem ao filme clássico de ficção-científica “O Planeta Proibido”
(Forbidden Planet, 1956, MGM), mas novas pinturas foscas e modelos foram
criados especificamente para o episódio-piloto de O Túnel do Tempo.
• Virtualmente, cada episódio envolve a captura ou o
cárcere de Doug, Tony, ou ambos, assim como fuga, recaptura, nova fuga, antes
da transição de ambos para o próximo episódio.
• Quase todas as locações usadas para as filmagens
situaram-se no sul da Califórnia ou arredores. Isso fez com que as cenas que se
passam em diferentes partes do país (ou do mundo) tenham a mesma paisagem
montanhosa, com árvores arejadas e plantas típicas da região onde ocorreram as
filmagens.
• Doug e Tony quase sempre aparecem em
algum lugar do passado. Eles viajaram para o futuro apenas em quatro ocasiões:
duas em 1978, uma no ano de 8433 e, em parte de um episódio, viajaram a 1
milhão de anos D.C., para um futuro irreconhecível.
• Alienígenas e pessoas do futuro estão quase sempre vestidos de
forma idêntica, muitas vezes em folhado de alumínio, como visto em outras
séries de TV produzidas por Irwin Allen na época.
• Normalmente, Tony e Doug viajam no tempo juntos.
Apenas em algumas ocasiões eles foram transportados a lugares ou épocas
diferentes.
• Os protagonistas da série estão sempre com a mesma
roupa e elas se mantém muito limpas.
• Tony e Doug nunca dormem? Os cientistas do túnel
não descansam? Praticamente estão sempre monitorando a posição dos dois
cientistas.
• Existe um romance entre a Dra. Ann MacGregor e o Dr.
Douglas Phillips. Isso fica claro no episódio “Os Raptores”, quando, ao se
reencontrarem, Ann dá um caloroso abraço em Doug, provando serem mais do que
colegas de trabalho.
• No episódio “O Dia em que o Céu Desabou”, é
possível saber sobre a história de Tony Newman, que era uma criança quando Pearl Harbor foi atacada pelos japoneses. Pode-se ver Tony arrasado com o
desaparecimento de seu pai durante o ataque, ele que era um comandante naval. O
telespectador pôde ver que o pai de Tony foi atingido por uma bomba que caiu na
instalação que ele estava operando. Tony tinha vivido por anos sem saber o que
tinha acontecido com seu pai e, sabendo da catástrofe que estava para
acontecer, contou a seu pai que ele era seu filho, antes que o oficial fosse
morto.
• Já que Doug e Tony
viajam através da história, eles rapidamente se tornam história, já que ignoram
a possibilidade de alterar o futuro ajudando as pessoas no passado.
Mesmo que tenham que ajudar Arthur a se tornar um rei, ou ensinar Marco Polo os
finos aspectos das armas de pólvora. Não só Tony e Doug podem alterar o
passado, mas frequentemente, os personagens que estão com eles são
acidentalmente enviados para o futuro, a fim de que possam alterar o presente
do túnel: um garoto com uma bomba a ser usada para matar Lincoln acaba no
túnel, bem como um francês louco pelo poder e um pirata sedento por sangue. De
forma geral, as mudanças feitas pelos dois cientistas não são grandes; o
Titanic afundou realmente, mas algumas vidas extras foram salvas graças à
intervenção deles.
Episódio-Piloto
Shimon Wincelberg, que já havia escrito o
episódio-piloto de Perdidos no Espaço
(sob o nome de S. Barr David), também foi o responsável por escrever o piloto
de O Túnel do Tempo. O nome do
episódio foi “The Man who Killed the Time”, que acabou não sendo filmado, mas
tem muita semelhança com o piloto definitivo.
Neste piloto original, o nome de Doug era Peter e
ele viajava no tempo por conta própria, sem Tony. Apesar das diferenças, ele
também cai no Titanic, mas sob outras condições. A jovem dama que Tony encontra
é uma estranha que ele faz amizade, e termina salvando sua vida. No piloto
original, Dr. Peter Phillips descobre que seu pai e avô estão a bordo do
Titanic e isso torna uma questão muito pessoal para ele salvá-los.
Irwin Allen gostou do script acabado, a 20th
Century Fox aprovou, mas a ABC rejeitou. Eles queriam drásticas mudanças se O
Túnel do Tempo fosse
tornar-se uma série. Para maior aflição de Wincelberg, a Fox pensou ser mais
diplomática contratar outro escritor, Harold Jack Bloom, para fazer as revisões.
O script final filmado suporta os nomes de três escritores: Allen, Wincelberg e
Bloom. Foram derrubadas as ideias de Peter Phillips e seus parentes; onde era
Tony Newman virou Doug Phillips; e houve muito menos drama pessoal.
Entretanto, o piloto gravado é muito bom de ser
visto e mereceu grande audiência, graças ao excelente elenco convidado, com Michael Rennie, Gary Merrill e Susan Hampshire (foto).
Elenco da Série
- Robert Colbert começou sua carreira no
longa-metragem “O Foguete Errante”, dos Três Patetas, em 1959. Na época ele se
chamava Bob Colbert. Após a série, não teve muita sorte. Apareceu no longa
“Viagem Sob o Mar” (1970 – Warner Bros.), com elenco misto das séries Viagem ao Fundo do Mar e O Túnel do Tempo. O filme foi
feito para a tevê, mas exibido no Brasil em alguns cinemas. Após este
longa-metragem, Colbert passou a engordar bastante e ficou com o cabelo bem
grisalho. Apareceu em vários episódios de Missão Impossível e Smith & Jones. Anos mais tarde, em
1988, apareceu em dois episódios de Dallas,
mas com fisionomia praticamente irreconhecível. Hoje, Colbert está com 83 anos,
aposentado, e frequenta alguns eventos sobre séries
da televisão americana.
- O cantor de rock James Darren começou
sua carreira em 1961, no filme “Os Canhões de Navarone”, mas ganhou fama nos
longas-metragens da série Gidget,
ainda na década de 1960. Antes de seu papel em “Túnel”, foi coadjuvante em
episódios de Viagem ao Fundo do Mar,
dublou Zé Colmeia no filme de animação “Hey There,
It’s Yogi Bear” (1964) e também dublou em alguns episódios de Os Flintstones. Na década de
1970, Darren participou de minisséries e telefilmes e participou de
episódios de séries como O Jogo Perigoso
do Amor, S.W.A.T. Police Woman, As Panteras, Hawaii 5-0, Vega$, O Barco do Amor e A Ilha da Fantasia. Na década
seguinte, conseguiu fama com o papel fixo de Tenente Corrigan, na série Carro Comando (1982/86), ao lado de
William Shatner. Já nos anos 1990, participou de Raven, Melrose Place
e Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine.
Dirigiu alguns episódios de Esquadrão
Classe A, Barrados no Baile e Melrose Place. Como cantor,
Darren lançou vários álbuns e excursionou pelo mundo. Darren está
atualmente com 78 anos e ainda faz shows como cantor. Casou-se duas vezes: com Gloria Terlitzky (com quem teve
o filho Jim Moret, que foi repórter da CNN) e com Evy Norlund, com quem tem os
filhos Christian Darren (escritor) e Tony Darren (músico, compositor e cantor).
Talvez quem mais teve sorte na carreira tenha sido
a ex-Miss América e atriz Lee Meriwether. Começou na década de 1950, fazendo
pontas em filmes como “Quarta Dimensão” (1955) e outros. Após o termino do
“Túnel”, voltou a fazer aparições em séries e filmes, até que foi contratada
pela Paramount para a série Missão:
Impossível, nas temporadas de 1969 a 1971, ao lado do lendário Leonard
Nimoy.
Teve participações em outras séries, como Jornada
nas Estrêlas e fez o longa-metragem de Batman para o cinema (1966), no papel de
Mulher-Gato, ao lado de Adam West e Burt Ward. Voltou a fazer pontas, até que
conseguiu participar de outra série: Barnaby
Jones, nas temporadas de 1975 a 1979. Também participou de um
longa-metragem da série Os Monstros,
onde fez o papel de Lilly Monstro.
Whit Bissel, o General Heywood Kirk, começou sua
carreira em 1947, no filme “Brutalidade”, ao lado de Burt Lancaster. Fez
pequenos papéis e pontas em alguns seriados. Após O Túnel do Tempo, voltou a trabalhar com aparições e participou do
filme “Aeroporto” (1969).
John Zaremba apareceu no episódio-piloto de Viagem ao Fundo do Mar (1964) e nas
séries Terra de Gigantes e Glenn Ford é a Lei.
Para o elenco, excetuando os protagonistas Colbert
e Darren, gravar um episódio da série era muito fácil. Basicamente, tinham de
apertar botões, girar alavancas e gritar um eventual “Tony, cuidado!” ou “Nós
os estamos perdendo!”. Mas, Lee Meriwether declarou certa vez que os atores do
laboratório tinham de atuar olhando para uma tela branca, sem imagens. Eles
tinham que fingir estar vendo Doug e Tony, mas estas cenas com os cientistas,
geralmente, sequer haviam sido gravadas.
O Fim da Série
O uso de sobras de cenas de filmes do estúdio 20th
Century Fox tornou possível que Doug e Tony voltassem no tempo dentro do
orçamento da produção. Mas, muitos episódios tiveram de ser escritos para se
ajustar a algum filme disponível, algo que comprometeu muito a qualidade de um
roteiro. Os escritores reclamavam que Allen trocava diálogos por mais ação e
explosões e isso resultou em muitos episódios fracos.
Apesar de tudo, a série foi considerada boa e os
efeitos especiais impressionantes. Mas, o fato de Irwin Allen rejeitar scripts
historicamente corretos, ou histórias que requeriam alguma reflexão por parte
do telespectador, deixou o show um pouco infantil.
Não havia realmente condição de fazer certas
sequências com efeitos especiais, tal como o afundamento de um transatlântico,
com a magra verba de uma série de tevê. Por isso, cada episódio histórico
surgiu de um filme, fazendo O Túnel do
Tempo uma reprise de gêneros. O episódio “Viagem à Lua” usou cenas do
filme “Destination Moon”. “Presente de Grego” usou “The 300 Spartans” para as
cenas dos exércitos troiano e grego em batalha.
Geralmente as montagens davam certo,
mas há ocasiões que nem tanto. No episódio “Viagem à Lua”, o modelo do foguete
que é visto decolando do Cabo Kennedy é diferente do foguete visto em cenas do
restante do episódio.
Os piores sets foram os que se passaram no futuro.
Quando todas as ideias acabaram e o acervo de filmes se tornou escasso, a
qualidade caiu bastante, com episódios tolos e impossíveis de levar a sério.
Talvez, a ideia de o Governo Americano ter
conseguido manter em segredo um projeto do tamanho do Tic-Toc em um local com
12 mil pessoas, 800 andares de profundidade é algo menos aceitável que
realmente existir um túnel do tempo. Mas essa era a marca de Irwin Allen, um
homem que muitas vezes pediu: “Não seja lógico comigo”.
Em face a todos esses problemas e a competição por
ser exibido originalmente nos EUA nas noites de sexta-feira, entre o popular James West na CBS e O Agente da U.N.C.L.E. na NBC,
Tony e Doug foram “vítimas”, mas não por estarem perdidos no tempo e, sim, pela
queda de audiência. Apesar de “Túnel” não ir tão mal, e até chegou a ser
escalado para ter uma segunda temporada, era um show caro, sem dúvida influenciando
a decisão da ABC em cancelá-lo após um ano. O show mais inovador de Irwin Allen
estava acabado. As reprises foram boas para a popularidade da série, em
exibições vespertinas em estações locais.
Um elemento adicional de dor de cabeça para todos
os envolvidos na produção da série foi o orçamento. Irwin Allen estava
pressionado para não extrapolar e, muitas vezes, um script que deveria ser
rodado em cinco dias era apressado para quatro, até três dias, para economizar
dinheiro. Com essa pressão de Allen em cima das equipes, o ambiente foi ficando
ruim, afetando a todos. Robert Duncan, um talentoso roteirista que havia feito
scripts para Perdidos no Espaço
e Terra de Gigantes declarou que não era uma
agradável experiência escrever para O
Túnel do Tempo. Brigas constantes deixavam todos de mau-humor e Duncan admitiu
que os sets de filmagem “não eram um lugar para levar nossas crianças ou pais”.
Duncan queria produzir diálogos mais substanciais, mas Allen queria falas
simples, como “vamos!”.

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