BATMAN – O HOMEM MORCEGO - 1943
Na década de 40 surgiu o primeiro filme do homem morcego
chamado "The Batman", numa
época em que o mundo estava mergulhado na Segunda Guerra Mundial e o cinema
tornava-se uma grande fonte de diversão e também de informação. Era a grande
coqueluche do momento, onde além dos filmes eles podiam também acompanhar as
últimas notícias da guerra.
Todos queriam ir ao cinema e nessa época além dos filmes
tradicionais, muitos desenhos em quadrinhos vieram para a tela grande como
Tarzan, Superman, Buck Rogers, Mandrake, entre outros. Flash Gordon era um exemplo de sucesso, tanto
de público, como da crítica especializada.
Foi nesse clima que Batman saiu dos quadrinhos e também veio
para o cinema. Em junho de 1943, a Columbia Pictures apresentou o seriado
"The Batman", com 15 episódios de 30 minutos cada, em preto e branco,
com direção de Lambert Hilyer e tendo no elenco principal Lewis Wilson como
Batman e Bruce Wayne e Douglas Croft como Robin e Dick Grayson.
Mais tarde com a popularização da televisão, esses filmes
passaram também a serem apresentados na pequena tela como um seriado em
diversas partes do mundo, principalmente entre a década de 50 e 60 e depois
praticamente desapareceram.
Neste filme Alfred foi interpretado pelo ator Willian Austin
e o grande vilão nipônico Dr. Daka era interpretado por J.Carrol Naish (que não
era japonês).
Este serial de quinze capítulos consecutivos, foi o primeiro
aparecimento de Batman e Robinnos cinemas. Embora seja um filme de aventuras, ele
é muito diferente daquilo que nós conhecemos hoje dos filmes de Batman. Devido
ao andamento consecutivo das cenas, muitas mudanças tiveram de ser feitas aos
personagens de Batman e Robin.
Por exemplo, Batman e Robin não eram vigilantes, mas sim
agentes do FBI. Eles também não travavam batalhas com vilões excêntricos ou
cômicos. O principal inimigo deles era um cientista japonês. O filme era
recheado de propaganda anti-japonesa, pois naquele época os Estados Unidos
estavam em guerra com o Japão e seus aliados.
O orçamento para o filme era bem escasso e isso não permitia
criar jogos excitantes, brigas incríveis, contrato de bons atores e nem tinham
um câmera adequada compatível com os grandes filmes feitos em estúdios maiores
como os da Warner ou Paramount. Em outras palavras, a Columbia só teve dinheiro
para fazer um seriado num estúdio pequeno.
A edição e transição entre as cenas eram um deleite. Muito o
que aparece neste filme parece engraçado para a maioria das pessoas que estão
acostumados às grandes produções dos dias atuais, mas mesmo assim Batman
conseguiu agradar ao público da época.
O Dr. Daka, o vilão japonês deste filme, se escondia num
trem-fantasma muito luxuoso, todo ele ornamentado no estilo oriental, com uma
estátua de Buda ao fundo, localizado em um parque de diversões nos arredores de
Gothan City. O terrível japonês tinha uma máquina que emitia raios por rádio
que era capaz de pulverizar paredes e também transformar alguns prisioneiros de
guerra americanos em zumbis, eletronicamente controlados através de ondas
telepáticas que eram capazes de comunicar-se com o laboratório dele através de
sinais de vídeo.
Além disso adorava criar crocodilos que ele alimentava com deliciosos
frangos, seu passatempo predileto. Batman e Robin tinham a grande missão de
deter o Dr. Daka e desviar a carga de rádio que ele mantinha sobre Gothan City
e por um fim ao seus esquemas ardilosos. Shirley Patterson fazia a adorável
assistente, Linda Page, do Dr. Borden na Fundação da Cidade de Gothan. Ela era
a paixão de Bruce Wayne e era muito amiga dele.
Os filmes de seriados naquela época eram geralmente
apresentados nos finais de semana, tinha vários capítulos e sempre o episódio
acabava numa hora que o herói se encontrava em grandes apuros, fazendo com que
o público retornasse na outra semana para ver como ele havia se safado daquela
situação.
Neste filme, porém, aconteciam coisas incríveis, outras
inacreditáveis como: Batman usava uma máscara muito folgada com
orelhas em forma de cone amoldadas que mal conseguiam ficar de pé.
Não havia nenhum batmóvel. Eles usavam uma limousine
conversível normal. Quando eles usavam a identidade de Bruce Wayne e Dick
Grayson eles andavam com o carro descoberto e quando eram Batman e Robin o
carro aparecia fechado. O carro era sempre o mesmo e ninguém desconfiava.
Não havia nenhum comissário Gordon. Os nossos heróis, Batman
e Robin eram oficiais da polícia e recebiam ordens do Capitão Arnold.
Alfred era muito cômico, parecia estar nervoso a todo
momento. A postura inglesa nele era muito forçada e também ele era mais
motorista do que propriamente um mordomo. O sobrenome de Alfred neste filme era
Bible e em outros filmes de Batman o sobrenome dele sempre foi Pennyworth. Ele
também era meio calvo e tinha poucos cabelos pretos.
Foi neste filme que apareceu pela primeira vez a Batcaverna,
que depois passou a ser incorporada aos comics e existe até hoje.
Neste filme ainda não aparece
nenhuma engenhoca morcego. Ao contrário, era o vilão que tinha muitas invenções
inteligentes e interessantes. Batman lutava contra o crime com ferramentas
muito limitadas como gancho, corda e um pequeno rádio transmissor, além de uma
lanterna. Robin usava uma lanterna de sinal morcego que era mais exótico do que
utilitário.
Eles lutavam como se fossem brigas de rua, como amadores e
não tinham conhecimento de nenhum golpe de artes marciais e geralmente
apanhavam mais que os vilões. Durante as lutas de corpo-a-corpo a sua capa
vivia enrolando-se nele.
Batman já tinha seu cinto de utilidades mas nunca usava. Em
uma das cenas Batman desce por uma escada e seu cinto se enrosca e caem de
dentro vários cigarros.
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| O Batmóvel de 1943 |
Este seriado encontra-se disponível para compra em DVD (DVD duplo) produzido pela Clássicline. Vale a pena assistir.






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